Monday, October 13, 2008

[Nada] fácil de entender

Talvez por não saber falar de cor, imaginei.
Talvez por saber o que não será melhor, aproximei.
"O meu corpo é o teu corpo, o desejo entregue a nós".Sei lá eu o que queres dizer...
Despedir-me de ti, adeus um dia voltarei a ser feliz...
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor não sei o que é sentir
Se por falar falei, pensei que se falasse era fácil de entender
Talvez por não saber falar de cor, imaginei...
Triste é o virar de costas o último adeus, sabe Deus o que quero dizer.
Obrigado por saberes cuidar de mim, tratar de mim, olhar para mim, escutar quem sou...
E se ao menos tudo fosse igual a ti...
Eu já não sei se sei o que é sentir o teu amor, ja não sei se sei o que é sentir.
Se por falar falei, pensei que se falasse era fácil de entender...
É o amor, que chega ao fim, um final assim assim é mais fácil de entender...


Fácil de entender - The Gift



Foto d'aqui




Perdoem-me os The Gift e respectivos fans, mas é banda que por mais que tente, não encaixa no meu gosto. Mas, de vez em quando, têm momentos felizes como este poema.

Friday, October 10, 2008

Programação

"As Danças da Dança"


Dia 11 de Outubro (Sábado), às 15h00, a Biblioteca Municipal Braamcamp Freire, acolhe a iniciativa Conversas Tardias "Danças da Dança", que conta com a presença de representantes da Academia e Dança Scalabis (danças de salão), do Departamento de Dança do Círculo Cultural Scalabitano (classe de Ballet) e do Grupo Académico de Danças Ribatejanas.No âmbito do tema mensal "A diversão no início do século". a Biblioteca promove assim, mais um encontro, onde se debate, desta vez, a oferta, as diferenças, as oportunidades e os meios da Dança, na cidade de Santarém. Venham assistir!



Thursday, October 09, 2008

Do que cai pelos olhos e não me sai pela boca porque está preso na garganta

Sou supersticiosa. Não tenho medo de gatos pretos, não tenho azar nos dias 13. Não tenho problemas em partir espelhos nem em passar de baixo de escadas. Mas quando o meu coração dispara por certos arrepios que lhe passam isso significa sempre que vai dar merda. E geralmente, quem sai mal sou eu.
O meu coração sempre foi o meu mais fiel companheiro. Quando ele diz que é assim, bem posso eu virar o mundo às avessas, que nada muda. Ele não me engana. Isso é certo. E bem vistas as coisas até tem o seu encanto, porque quando ainda a maioria das coisas não se apresentaram à realidade, já o meu coração me tinha avisado, ou seja, eu já sabia. Sempre foi assim, desde que me lembro de existir. Deve ser por isso que eu sempre levei a vida demasiado a sério. Não devia. Devia libertar-me mais, viver mais…
Devia saber lidar melhor com as emoções, com os nervos, com os ciúmes, com os amores, com as amizades. Mas quando o meu coração grita, não há nada a fazer.
Devia explodir mais vezes, ralhar mais vezes, ser intolerante mais vezes. Porque o mundo inteiro pode ser assim comigo, mas quando eu dou uma pausa ao meu coração e o deixo sangrar e chorar cá para fora, o mundo inteiro rebenta em cima da minha alma.
As minhas superstições são apenas receios e anseios que vêm de dentro de mim. Não é nada de mais concreto do que um simples arrepio… Coisas minhas, da minha maneira de ser, se calhar. Nem sei explicar. Sei apenas que é assim.
Apesar de tudo, insisto em dar mais voz à razão, dar-lhe mais tempo de antena na minha vida. Quando quem mais me acompanha é o meu coração. Ele sim não me engana, ele sim me diz como as coisas são, de verdade. E eu insisto e sou LITERALMENTE forçada em dar apenas ouvidos à razão. Não vá o mundo em que estou metida desabar. Mesmo sabendo que a razão (essa puta falsa e traidora) apenas me faz viver num mundo de ilusão, de fachada. A mim e a todos que teimam em que se prevaleça nessa realidade moralista que a razão tanto preza. Ou lhe dou ouvidos, ou dou em doida…porque não há quem entenda as minhas superstições.

Sunday, October 05, 2008

Música Obrigatória*

*ou, sem razão especial lembrei-me desta música ontem e de como em qualquer altura esta música sempre faz sentido...



Eu quero casar contigo amanhã
Abre os olhos vem comigo, diz: Parar
Vamos gastar muita saliva
Mergulhar e ver-te flutuar
Eu quero ver-te a afundar
Para depois te salvar
Eu quero lutar contigo devagar
Dá-me os braços vem comigo expirar
Vamos selar com a nossa saliva
Pensar que fosses tu também amiga








E vou usar a tua saliva
Poupá-la da má língua da intriga
Eu quero ver-te a afundar
e vou tentar-te salvar
Vamos gastar muita saliva
Lamber as feridas e limpar o mundo
Quero levar-te a vida
Mergulhar e ver-te ir ao fundo
Vamos gastar muita saliva
Orgulhar-me de ser teu fiel defunto
Quero usar saliva
Selar a carta e mudar de assunto
Ficar a ver-te fumar para depois te apagar

Saliva - GNR

Pictures by Alina Lebedeva e J. Prôa

Friday, October 03, 2008

Há dias assim

Foto de Estella Mestella

E que sejam só dias, porque isto, ultimamente, mais parecem décadas... Dias em que só me apetece gritar, puxar os cabelos, fugir, um sem fim de revoltas. Dias em que sinto que só faço merda, que ponhos os pés pelas mãos, que a minha vida está toda virada do avesso, que não só capaz de realizar nada com jeito, de fazer alguém feliz, de me sentir feliz...Deve ser só cansaço, deve ser só isso...e mais uma vez, a frase de sempre: isto há-de passar

Explicações

Aqui a leiga-no-assunto-do-lado-de-cá, finalmente, ao fim de três anos de blogosfera, descobriu como colocar, correctamente, música na tasca. Ora bem, os poucos e raros leitores da coisa, lembram-se que em tempos coloquei aqui uma rádio, e que tenho um problema sério com música, e que até tenho uma rúbrica mais ou menos consatante que é "Música Obrigatória", mas não havia meio de ficar satisfeita com isto. E porquê? Ora bem, no caso da rádio foi porque, apesar da selecção musical ter sido feita por mim, aquilo não funcionava bem. Os posts do amigo Youtube que vou colocando, nem sempre se ouvem (só quem clica naquilo) e na grande maioria dos meus post há uma música associada, ou qualquer música da minha mais privada selecção se associa a cada um deles. E pronto, finalmente encontrei uma cena (site, ou sei lá o que é isto) que permite ter as minhas músicas, aquelas que em qualquer altura se adequam a este espaço, pela ordem que eu quero, e a malta que não quer ouvir, simplesmente desliga. Pronto, isto da música e eu, eu e a música é um problema mais que sério...

Wednesday, October 01, 2008

Homens que me compreendem melhor que própria - Parte VI


fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido
com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro
do corpo, gritos desesperados sob as conversas:
fingir que está tudo bem: olhas-me e só tu sabes:
na rua onde os nossos olhares se encontram é noite:
as pessoas não imaginam: são tão ridículas as pessoas,
tão desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam:
nós olhamo-nos: fingir que está tudo bem:
o sangue a ferver sob a pele igual aos dias antes de tudo,
tempestades de medo nos lábios a sorrir:
será que vou morrer?, pergunto dentro de mim:
será que vou morrer?, olhas-me e só tu sabes:
ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer:
amor e morte:
fingir que está tudo bem: ter de sorrir:
um oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga.

José Luis Peixoto

Contagem decrescente

Pois é senhores ouvintes! E eis que chega Outubro. E como quem espera sempre alcança, cá estou eu a entrar na minha contagem decrescente para as tão sonhadas e merecidas férias ao fim de sei lá quanto tempo...
Faltam precisamente 19 dias para ter a minha pausa (que até tem direito a uma viagenzinha e tudo e tudo e tudo!!!!!!!!!!!)
Vou colocar religiosamente, na barra lateral de informações o passar dos dias até chegar o momento de gritar bem alto: Au Revoir!!!! FUI

Tuesday, September 30, 2008

Música Obrigatória

This is life...
Música para levantar a cabeça, reaver a força e seguir, seguir para um qualquer lado que não este!

Come back

Foto d'aqui

Voltei. Porque tinha saudades, porque senti a falta, porque não sei resistir, porque é mais forte que eu. Voltei porque assim tinha de ser. Voltei porque da lama hão-de nascer raios de luz, porque o Outono há-de trazer o sol dourado e cheiro da terra molhada é sempre sinal de esperança. Voltei porque a vida é feita de voltas e as voltas que dou são para me tornar mais eu. Voltei porque não sei estar mais sem ser assim, a ser eu, a libertar-me. Voltei, porque acaba-se sempre por voltar ao que nos faz felizes. Voltei porque a minha vida tem de começar outra vez e eu preciso de renascer... outra vez.


Tuesday, September 16, 2008

Fechado para obras, para balanço, para qualquer coisa...

A falta de condições do lado de cá da tasca faz com que, por tempo indeterminado, este espaço fique encerrado. Não para sempre, mas por agora...



Foto d'aqui

Sunday, September 14, 2008

Música Obrigatória

Sai, vai mais longe vai, vai ao fundo do fundo, não mudes de assunto, há sempre um perigo. Sai debaixo das pedras e vai, vai. Descola a memória, flutua no vago, deixa-te ficar, há sempe um perigo. Longe o ar é mais leve. Pode ser isso que me chama. Não sei resistir. Nem sei também pensar, se devia. Vai, vai mais longe vai, vai ao fundo do fundo...*



Picture by Michael G. Magin

*Letra Alberto Lopes/ Música João Gil (Trovante), muito embora se recomende a versão dos extintos Resistência

Saturday, September 13, 2008

Tenho medo...

...e por isso sinto-me presa. Incapaz de pensar. Porque tudo o que sinto é frio...e medo. Tenho medo das palavras, de dizê-las, de escutá-las. Tenho medo de sentir e medo de não ser capaz. Tenho medo de perder, de me perder. Tenho medo.



Foto by Lilya Cornelli

Monday, September 08, 2008

...

Fotografia de Michal Podobycko

Tenho um nó, na cabeça, no coração, na alma e na vida. É um nó tão grande que faz com que nada saia, nem lágrimas, nem gritos nem palavras.

Resumo

Festa do Avante, 07 de Setembro de 2008
Centenas de vozes a cantar comigo. Absolutamente sozinha no meio da multidão!



Friday, September 05, 2008

Which one you are?

Existem dois tipos de pessoas: os que escolhem e os que nada fazem por isso.
Os que escolhem levam uma vida de lutas interiores, são constantemente surpreendidos por encruzilhadas, desafios que a Vida apresenta em que o lema é pegar ou largar, ou tipo, é agora ou nunca. Levam as suas existências num desgaste emocional tremendo, mas pelo menos têm a recompensa de ter saboreado a vida com uma intensidade única.
Os que nada fazem por isso são aqueles para quem a Vida simplesmente atira as oportunidades de mão beijada, põe-lhes as hipóteses já escolhidas e preparadas no colo, sendo que eles apenas têm de vivê-las…não é necessariamente mau fazer parte deste segundo grupo. A Vida dá muito menos trabalho assim.
Mas também, quem disse que o que é fácil tem mais piada?
Apesar de tudo, não se escolhe o lado em que se nasce, o grupo a que se pertence. É-se assim e pronto…nada, ou muito pouco pode mudar essa condição.
Eu, inevitavelmente, caí [de nascença] na tribo dos que escolhem, dos que têm de escolher, optar, decidir, de uma forma constante e quantas vezes (demasiadas) de forma implacável e dolorosa. A vida nunca me deu nada por “dá cá aquela palha”. Mas por outro lado, tudo o que tenho conquistado, mesmo que na maioria das vezes sejam castelos de areia, no primário momento da conquista tem sempre um sabor especial da vitória!


Thursday, September 04, 2008

Homens que me compreendem melhor que eu mesma - Parte V

Foto d'aqui

Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue

Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos

Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente

Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer

[Mia Couto]


Fada do Lar!

Pois que me aventurei no fabuloso mundo das compotas e fiz um doce de tomate! E diz que correu muito bem e que estava uma delícia! ah pois é...


Sequelas

Não posso ser tolerante para quem defende o passado político do meu país. Não posso ser tolerante para quem blasfema contra a liberdade, porque não tem a menor consciência do que é viver sem ela. Tenho de me revoltar contra a hipocrisia de se defender que “antes era bem melhor”… o que é que era melhor? A vida racionalizada? A juventude de metralhadora na mão? A proibição musical? A imposição religiosa? A total e maquiavel proibição de pensamento ou de capacidade de expressão e de escolha? A tortura física e psicológica? A falta de acesso ao ensino? A ausência de informação? Expliquem-me, porque eu devo ser mesmo muito burra, mas não consigo perceber em que é que isto possa ser melhor…
Hoje, apercebi-me que as sequelas de um passado assim ainda permanecem em todo o lado. Não é nada que eu não soubesse, pois o atraso cultural, social e político do meu país deve-se a esses 40 e tal anos de pura repressão e ditadura em que vivemos e que, se olharmos com os olhos da consciência social, percebemos que esses tempos foram ontem e que ainda estão demasiado perto para que haja uma recuperação total da sociedade. Daí que ainda estejam a vir à tona os escandalosos e gravíssimos problemas de traumas de guerra. Sim, porque caso não saibam, a guerra colonial portuguesa ainda hoje é considerada um dos mais sangrentos palcos de guerra da história, mas isto se calhar não interessa, não é? Porque quando se fala de trauma de guerra, a malta (os-jovens-radicais-fashion-universitários-cosmopolitas e todos os restantes alienados) esquece-se que estes senhores, quando estavam com a idade deles, em vez de gastarem as mesadas (que não tinham, porque não havia) nas noitadas no Lux e no Tamariz e nos carros e nos vodkas com limão e nas imperiais, andavam de metralhadoras na mão, num país que nem sequer conheciam, a matar pessoas, sem saberem muito bem porquê. E enquanto isso, as namoradas e amigas que cá ficavam, em vez de gastarem o tempo (que não tinham porque trabalhavam) a passear nas Zaras e nas Berskas, a pavonearem-se nos Chiados e nas Avenidas, ficavam em casa a ajudar nas lides domésticas, a fazer os enxovais para um casamento com um noivo que muitas vezes regressava “numa caixa de pinho”, ou a trabalhar para ajudar nos sustentos de famílias que não tinham que chegasse para comprar pão (porque bifes, era uma vez sem exemplo, talvez no Natal). E continuam a vir também à tona, todas as sequelas de uma juventude que cresceu assim, sem música, sem coca-cola, sem televisão, sem expressão própria, com medo, com angústia, com receio. Mas que nunca perdeu a esperança e por isso continua cá. E deixam raízes. E projectam nos filhos, a esperança de um futuro que eles não tiveram mas que o sonharam.
Não tenho partido político, mas tenho opinião política (que aliás, defendo que é coisa que não se obtém aos 18 anos, mas sim um pouco mais tarde, mas enfim…). Não me identifico com nenhum partido em especial, mas sei aqueles com que não me identifico, de todo. Cresci num país que me deixou estudar, ouvir as músicas que gosto, vestir a roupa que quero, criar as minhas modas, defender as minhas filosofias, fazer teatro num grupo que orgulhosamente se intitula Veto, gritar em manifestações contra invasões militares contra outros países e poder estar na rua até depois das meia-noite com mais de 3 amigos sem ser acusada de conspiração, sair do país em viagem sem ter de pedir autorização ao companheiro, fumar na rua, ter isqueiro, tirar a carta de condução, votar, escrever estes textos na internet. Enfim, posso fazer tudo isto e sei dar o devido valor a tudo isto. E esta minha consciência devo-o a muitos heróis da geração de 70, mas devo-o ainda mais aos dois maiores heróis dessa geração que são o meu pai e a minha mãe. Que sobreviveram a uma adolescência de privações, para hoje me poderem dar toda esta responsabilidade histórica e social de saber dar valor à vida que tenho.

Não sou tolerante com o fascismo e tenho orgulho nisso!

Mãe:
Não te preocupes. Vou cantar ao Avante, sim. Mas não vou lá pelo Avante nem pelo que ele representa. Não é a festa em si que me faz ir lá. É a música, e tu sabes disso. E não te preocupes que o país que me deixaste não me vai prender por isso! Obrigada pela tua luta!

Tuesday, September 02, 2008

Relatório

Sobre o estado de espírito actual do lado de cá da tasca e que, inevitavelmente, se reflecte aqui no "cantinho maravilha":


É a ressaca, senhores ouvintes! A ressaca total e decadente!!!

[e já agora, não me lembro de onde roubei a imagem, portanto, se for caso disso, processem-me! Já estou por tudo!]