Thursday, September 04, 2008

Homens que me compreendem melhor que eu mesma - Parte V

Foto d'aqui

Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue

Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos

Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente

Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer

[Mia Couto]


Fada do Lar!

Pois que me aventurei no fabuloso mundo das compotas e fiz um doce de tomate! E diz que correu muito bem e que estava uma delícia! ah pois é...


Sequelas

Não posso ser tolerante para quem defende o passado político do meu país. Não posso ser tolerante para quem blasfema contra a liberdade, porque não tem a menor consciência do que é viver sem ela. Tenho de me revoltar contra a hipocrisia de se defender que “antes era bem melhor”… o que é que era melhor? A vida racionalizada? A juventude de metralhadora na mão? A proibição musical? A imposição religiosa? A total e maquiavel proibição de pensamento ou de capacidade de expressão e de escolha? A tortura física e psicológica? A falta de acesso ao ensino? A ausência de informação? Expliquem-me, porque eu devo ser mesmo muito burra, mas não consigo perceber em que é que isto possa ser melhor…
Hoje, apercebi-me que as sequelas de um passado assim ainda permanecem em todo o lado. Não é nada que eu não soubesse, pois o atraso cultural, social e político do meu país deve-se a esses 40 e tal anos de pura repressão e ditadura em que vivemos e que, se olharmos com os olhos da consciência social, percebemos que esses tempos foram ontem e que ainda estão demasiado perto para que haja uma recuperação total da sociedade. Daí que ainda estejam a vir à tona os escandalosos e gravíssimos problemas de traumas de guerra. Sim, porque caso não saibam, a guerra colonial portuguesa ainda hoje é considerada um dos mais sangrentos palcos de guerra da história, mas isto se calhar não interessa, não é? Porque quando se fala de trauma de guerra, a malta (os-jovens-radicais-fashion-universitários-cosmopolitas e todos os restantes alienados) esquece-se que estes senhores, quando estavam com a idade deles, em vez de gastarem as mesadas (que não tinham, porque não havia) nas noitadas no Lux e no Tamariz e nos carros e nos vodkas com limão e nas imperiais, andavam de metralhadoras na mão, num país que nem sequer conheciam, a matar pessoas, sem saberem muito bem porquê. E enquanto isso, as namoradas e amigas que cá ficavam, em vez de gastarem o tempo (que não tinham porque trabalhavam) a passear nas Zaras e nas Berskas, a pavonearem-se nos Chiados e nas Avenidas, ficavam em casa a ajudar nas lides domésticas, a fazer os enxovais para um casamento com um noivo que muitas vezes regressava “numa caixa de pinho”, ou a trabalhar para ajudar nos sustentos de famílias que não tinham que chegasse para comprar pão (porque bifes, era uma vez sem exemplo, talvez no Natal). E continuam a vir também à tona, todas as sequelas de uma juventude que cresceu assim, sem música, sem coca-cola, sem televisão, sem expressão própria, com medo, com angústia, com receio. Mas que nunca perdeu a esperança e por isso continua cá. E deixam raízes. E projectam nos filhos, a esperança de um futuro que eles não tiveram mas que o sonharam.
Não tenho partido político, mas tenho opinião política (que aliás, defendo que é coisa que não se obtém aos 18 anos, mas sim um pouco mais tarde, mas enfim…). Não me identifico com nenhum partido em especial, mas sei aqueles com que não me identifico, de todo. Cresci num país que me deixou estudar, ouvir as músicas que gosto, vestir a roupa que quero, criar as minhas modas, defender as minhas filosofias, fazer teatro num grupo que orgulhosamente se intitula Veto, gritar em manifestações contra invasões militares contra outros países e poder estar na rua até depois das meia-noite com mais de 3 amigos sem ser acusada de conspiração, sair do país em viagem sem ter de pedir autorização ao companheiro, fumar na rua, ter isqueiro, tirar a carta de condução, votar, escrever estes textos na internet. Enfim, posso fazer tudo isto e sei dar o devido valor a tudo isto. E esta minha consciência devo-o a muitos heróis da geração de 70, mas devo-o ainda mais aos dois maiores heróis dessa geração que são o meu pai e a minha mãe. Que sobreviveram a uma adolescência de privações, para hoje me poderem dar toda esta responsabilidade histórica e social de saber dar valor à vida que tenho.

Não sou tolerante com o fascismo e tenho orgulho nisso!

Mãe:
Não te preocupes. Vou cantar ao Avante, sim. Mas não vou lá pelo Avante nem pelo que ele representa. Não é a festa em si que me faz ir lá. É a música, e tu sabes disso. E não te preocupes que o país que me deixaste não me vai prender por isso! Obrigada pela tua luta!

Tuesday, September 02, 2008

Relatório

Sobre o estado de espírito actual do lado de cá da tasca e que, inevitavelmente, se reflecte aqui no "cantinho maravilha":


É a ressaca, senhores ouvintes! A ressaca total e decadente!!!

[e já agora, não me lembro de onde roubei a imagem, portanto, se for caso disso, processem-me! Já estou por tudo!]

Saturday, August 30, 2008

What time is it?

Tempo para pensar, para fazer, para descobrir. Tempo para a fruta amadurecer, para a vida se fazer gente, para o beijo se soltar. Tempo para recuperar, para recompôr, para entender. Tempo para ser, para viver, para estar. Quantos são os tempos que a vida tem? De quantos tempos precisamos para sermos nós, para seguirmos os nossos caminhos? O que fazemos nós com o tempo e em que tempo vivemos? O tempo é o maior segredo da nossa existência, a pérola sagrada, a chave que decifra os códigos e, no entanto, continuamos a jogar com ele, a usá-lo em proveito de particularidades momentâneas, sem o respeitarmos e sem fazermos dele o proveito correcto para a nossa vida. Damos tempo, uns aos outros, com a prepotência de quem tem a certeza de que o tempo se oferece. Perdemos tempo indiscriminadamente com pormenores e relatividades com a ousadia de quem possui o tempo todo (quanto é o tempo todo?). E só quando o tempo se esgota, de repente, e sai da vida de alguém, é que conseguimos, por escassos momentos, entender que o tempo que se tem é nada, porque não se tem, nunca se teve, nunca se terá. E é aí, que as almas maiores, conseguem libertar-se e entregar-se ao tempo.



Friday, August 29, 2008

Hoje foi ela que me levantou do chão



A música há-de ser sempre em mim, a força maior. A música há-de ter sempre em mim uma razão para ser e para eu ser. A música traz-me gente e faz-me gente. Leva-me a novas vidas e traz-me novas e velhas emoções. A música há-de ser sempre a minha catarse, o meu caminho, o meu encontro, o meu segredo, o meu único momento, o meu único local. A música é minha irmã, minha alma gémea, meu nascer e renascer. É a amizade do momento certo, é o amante escondido, é a gargalhada da criança, é a lágrima e o choro compulsivo, é o abraço seguro, é a lembrança e a descoberta. É a memória e o cheiro da esperança da história que ainda está para vir.

Vá-se lá saber porquê...

Foto by Waatson

Teimoso subi ao cimo de mim e no alto rasgei as voltas que dei. Sombra de mil sóis em glória cobrem todo o vale ao fundo. Dorme meu pequeno mundo. Como um barco vazio p'las margens do rio, desce o denso véu lilás, desce em silêncio e paz, manso e macio. Deixa que te leve assim tão leve. Leve e que te beije meu anjo triste. Deixo-te o meu canto canção tão breve, brando como tu amor pediste. Não fales, calei. Assim fiquei. Sombra de mil sóis cansados crescendo como dedos finos a embalar nossos destinos

Leve Beijo Triste - Paulo Gonzo

Thursday, August 28, 2008

A conta, s.f.f.

Foto de Ted Adams

Porque deste lado os preços a pagar são sempre altos. Porque não há promoções para os sonhos, não há descontos para as ambições, não há saldos para a felicidade. Porque deste lado ainda se aposta alto no mundo da ilusão, esquecendo-se que o verdadeiro jogo é menos real que tudo o resto e a factura é sempre cara.

A propósito*


Foto de Xavier Baglins


Nomeei-te no meio dos meus sonhos
chamei por ti na minha solidão
troquei o céu azul pelos teus olhos
e o meu sólido chão pelo teu amor
[Ruy Belo, 1933-1978]




*...de uma conversa telefónica, ontem à noite, com a descoberta deste nome maior da poesia nacional e a proposta de uma noite dedicada a ele.

Monday, August 25, 2008

Música Obrigatória

Daquelas que nos levam às noites em que os olhares se cruzam por entre o fumo das estrelas e através do brilho dos sons...envolvência, sedução e movimento

Nos momentos mais escondidos

Tu és a Sombra do Vento

Monday, August 18, 2008

Em duas palavras:

E se de repente lhe aparecesse alguém, no seu local de trabalho, que lhe desabafa que resolveu fazer um estudo para comprovar que "O comando automático do portão da garagem do meu vizinho é a principal causa das minhas dores de cabeça" e que para esse estudo resolveu dormir durante 8 (oito) dias na garagem (não dormiu mais porque ao oitavo dia já não podia com dores de cabeça)? E que esse mesmo alguém lhe explica que arrancou todos os dentes da boca porque "os dentes só nos trazem é problemas à saúde" e que a base da sua alimentação é àgua de cozer peixe (porque o peixe depois de cozido vai para o lixo, não presta)...em duas palavras senhores ouvintes: ME DO!!!!!!!!!!!

"Isto há-de passar" - parte II

I’m running away from me.
I’m hiding of myself.
And I’m sure that one day, one moment,

I’m going to open my eyes, and let them fall into the worst truth…
The truth is that I’ve been losing my time.

Foto d'aqui

Thursday, August 14, 2008

Pausa


E há lá coisa melhor que uma pausa de 3 dias em pleno mês de Agosto, para quem só terá férias em Outubro, ao fim de dois anos a trabalhar (sem férias nenhumas...). Mesmo que não seja para ir à praia...

Wednesday, August 13, 2008

Breve explicação da minha deslocação do meio social ou de como eu nasci no tempo errado*

Elogio ao Amor**
"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
*Nada que eu não soubesse, apenas fico muito feliz por descobrir quem me entenda e quem me (de)escreve assim tão bem
** Miguel Esteves Cardoso, in "Crónicas" no Jornal Expresso

Tuesday, August 12, 2008

Agora

O dia está cinzento. Como a minha alma. Porque está neutra. Porque está melancólica. No fundo foi sempre assim. Deve ser por isso que estes são os meus dias preferidos. Vendo bem o que lá está ao fundo são Castelos. De areia. Feitos com paredes de sonhos e janelas de ilusão.

As portas (desses Castelos) são erros. Há quem entre uma vez e não mais volta a entrar. Há quem persista no erro por acreditar que é uma verdade. (Há erros que se cometem por serem verdades invertidas ou porque mesmo o maior dos erros tem o seu quê de verdade).

Insisto em esperar por ti, Verdade. Mesmo que isso implique em esperar sozinha.

Fotos d'aqui

Monday, August 11, 2008

And if you look, you look through me*

E o que é que eles te dizem? Já que eles dizem sempre tanta coisa. E eu que sempre os achei tão discretos e eles acabaram por me traír. Acabam sempre por me trair. Quando eu acho que eles contam histórias, no fundo eles estão a gritar segredos.

*U2 - Stay (far away so close)

Friday, August 08, 2008

Tal como eu costumo dizer...

David Bowie - 61 anos

Madonna - 50 anos

Sting - 57 anos

Demi Moore - 46 anos

...A teoria do Vinho do Porto...Confirma-se. E depois venham cá dizer-me que o melhor da vida não começa depois dos 30!

Thursday, August 07, 2008

Quem dá mais?

Oferece-se: Dôr de cabeça. É latejante, determinada, pontual, rigorosa, indiferente a analgésicos e intensa. Dura aproximadamente 3 dias e não costuma relacionar-se muito bem com a luz nem com o som. Aproveitem, oportunidade única!



Wednesday, August 06, 2008

"Isto há-de passar..."

Nunca pensei que ia chegar a um dia em que tinha de assumir uma máscara. Nunca acreditei em máscaras. O que me vai na alma sempre foi intenso e eu sempre fui muito verdadeira para mim própria. Mas há sempre um dia em que se acorda para outro lado. E eu acordei para mil direcções. As frases feitas que sempre neguei fazem agora mais sentido que qualquer Código ou Lei. A vida tirou-me o tapete debaixo dos pés, abriu um buraco profundo e eu não sei onde me agarrar.
O pior de tudo é não poder dizer o que sinto, porque na maior parte dos minutos nem eu própria sei. Não posso dizer porque não se entende, não posso falar porque não se compreende. Resta-me apenas aninhar-me silenciosamente atrás de uma máscara do que fui ou do que nunca vou deixar de ser, mas não daquilo que neste momento sou.


Monday, August 04, 2008

O que é efémero?



Para a Maria João Perre que me ensinou o que é a força de sermos nós próprios e para todos os que à minha volta me ensinam todos os dias que efémero é aquilo que devemos esquecer porque, não há força maior do que a coragem de sermos verdadeiros...e é isso que dura para sempre.

Músicas

Somos tão novos, diz o homem
e agora é a vez de a mulher se impacientar
essa frase já começa a tresandar
é que não é só uma questão de idade
o amor não é o bilhete de identidade
é eu ou tu, seja quem for, ter vontade
de mudar e deixar mudar*




* 2º andar direito - Sérgio Godinho

Thursday, July 31, 2008

Just another song




"I didn't hear you leave I wonder how am I still here.
And I don't want to move a thing, it might change my memory
Oh I am what I am, I do what I want, but I can't hide
And I won't go, I won't sleep, I can't breathe until you're resting here with me
And I won't leave, I can't hide, I cannot be until you're resting here with me
I don't want to call my friends for they might wake me from this dream
And I can't leave this bed risk forgetting all that's been
Oh I am what I am, I do what I want, but I can't hide
And I won't go, I won't sleep, I can't breathe until you're resting here with me
I won't leave, I can't hide, I cannot be until you're resting here"




Dido - Here with me

Thursday, July 24, 2008

Homens que me compreendem melhor que eu mesma - Parte IV

Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.
Como todas las cosas están llenas de mi alma emerges de las cosas,
llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.
Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.




Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
déjame que me calle con el silencio tuyo.
Déjame que te hable también con tu silencio claro
como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.
Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.

Do inigualável Pablo Neruda
Fotografias do sítio do costume

Quero voltar aos sítios onde nunca fui

Katmandu



Nova Iorque


Angkor

Londres

Laos



Bogotá


Madrid


Havana

Jaipur

E tu, queres voltar lá comigo?



Wednesday, July 23, 2008

?????

* Tenho vinte e tal nós na garganta, trinta e tal murros no estômago e para aí umas cinquenta e muitas lágrimas presas na alma que querem sair e gritar e explodir como um vulcão.
Donde me vem toda esta raiva, toda esta fúria, toda esta revolta? De que me queixo eu?

Nasci no lado “certo” do planeta. Tenho saúde, família, amigos, emprego, formação, comida…porque me sinto eu insatisfeita, incompleta e deslocada?
Quando é que eu aprendo a crescer, a ser inteira e constante? Ou será que quando for assim deixarei de ser eu?

* Foto d'aqui

Tuesday, July 22, 2008

Flash

Lembro-me do dia em que aprendi a assobiar…fazia questão, a todo o custo, de o saber fazer, porque o meu irmão e os meus primos (companheiros inseparáveis das férias de Verão) sabiam assobiar e eu não. Lembro-me do dia em que aprendi a fazer balões com as pastilhas, porque queria fazer balões cor-de-rosa como os que vinham nas embalagens das pastilhas. Lembro-me do dia em que aprendi a andar de bicicleta sem rodinhas. Lembro-me do dia em que bebi SevenUp pela primeira vez (tinha um sabor óptimo, mas aqueles picos eram muito estranhos) …Lembro-me do dia em que aprendi a nadar debaixo de água e em como me senti livre com isso, lembro-me dos meus primeiros trabalhos de casa e em como a noção de responsabilidade passou a tomar conta dos meus dias, lembro-me do meu primeiro dia de colégio em que minha única preocupação era se haveriam brinquedos para brincar…às vezes assusto-me com a distância das coisas, mas assusta-me ainda mais deixar de me lembrar destes momentos. Momentos que me fizeram, que me transformaram e construíram…Memórias do que sou. Às vezes assusto-me com o facto de a minha memória ser capaz de chegar tão longe, mas assustar-me-ia ainda mais se não existissem estes momentos para me lembrar de como foi que construí a minha vida.

Foto d'aqui

Thursday, July 17, 2008

Sem Filtro

Ontem à noite foi assim:



Fotografias gentilmente cedidas por João Prôa

Wednesday, July 16, 2008

Deve ser do calor...

...que me dá para falar destas coisas. Não é nenhum sonho de infância, nem nenhuma meta ou objectivo a atingir...é apenas um devaneio romântico, que no fundo, no fundo, toda a gente tem o seu "lado de costureirinha" e eu não sou excepção, mas a verdade é que se me cantarem isto (com rigor e qualidade) eu caso!



She may be the face I can't forget, A trace of pleasure or regret, may be my treasure or the price I have to pay. She may be the song that summer sings, may be the chill that autumn brings, may be a hundred different things within the measure of a day. She may be the beauty or the beast, may be the famine or the feast, may turn each day into a Heaven or a hell. She may be the mirror of my dream, a smile reflected in a stream, she may not be what she may seem inside her shell. She who always seems so happy in a crowd, whose eyes can be so private and so proud, no one's allowed to see them when they cry. She may be the love that cannot hope to last, may come to me from shadows of the past, that I remember till the day I die. She may be the reason I survive, the why and wherefore I'm alive, the one I'll care for through the rough and rainy years. Me, I'll take her laughter and her tears and make them all my souvenirs for where she goes I've got to be. The meaning of my life is she, she, she.*

*Charles Aznavour [muito embora a versão do Elvis Costello seja mais bonita, para mim]

Repto a mim mesma

Tenho apenas a comunicar-me que não vou fugir das coisas boas, não vou desistir de ser feliz.

[se não é este o caminho não devo estar muito longe dele, com toda a certeza!]


Sunday, July 06, 2008

E disse assim

Quantas coisas perdemos por medo de perder?*

*Brida

Thursday, July 03, 2008

Limites



Pudesse eu ser capaz de arranjar as palavras certas para descrever o que me vai na alma e na vida e não haveria imagem tão perfeita para me descrever por dentro e por fora!

Monday, June 23, 2008

Saturday, June 21, 2008

Chegou


Welcome to Summer!!!


Wednesday, June 18, 2008

A dúvida

Não sei o que me quer a Vida. Nem sei se algum dia saberei ou se ela me dirá o que quer de mim.
Procuro incessantemente a minha casa nas ruas das minhas estórias. Mas em lugar nenhum me encontro, nem lugar algum me faz sentir na quietude de um lar.
É uma ânsia que me acompanha e que quanto mais a julgo apaziguada mais raízes ela cria dentro de mim.
É um desassossego constante e talvez eterno que faz de mim quem sou. Quer goste ou não. se não gosto tento mudar, porque tento.
Mas no final a dúvida mantém-se, tão acesa como antes. Para que permaneça em mim a pergunta. Esperando que no final seja uma certeza em si.

Tuesday, June 17, 2008

Queres mesmo que comente?

É que não me apetece mesmo dizer nada. Apenas me apetece sentir. Viver.

Friday, June 13, 2008

Homens que me compreendem melhor que eu mesma - Parte III

E este compreende-me melhor que ninguém...
Faz hoje 120 anos que nascia um dos Fernandos da minha vida! Hoje comemoram-se 120 anos de verdades espalhadas e partilhadas.


Há em tudo que fazemos
Uma razão singular:
É que não é o que qu'remos.
Faz-se porque nós vivemos,
E viver é não pensar.
Se alguém pensasse na vida,
Morria de pensamento.
Por isso a vida vivida
É essa coisa esquecida
Entre um momento e um momento.
Mas nada importa que o seja
Ou que até deixe de o ser:
Mal é que a moral nos reja,
Bom é que ninguém nos veja;
Entre isso fica viver.

Thursday, June 12, 2008

Música Obrigatória

The world was on fire and no one could save me but you
It's strange what desire will make foolish people do
And I'd never dreamed that I'd knew somebody like you
And I'd never dreamed that I'd need somebody like you

No I don't wanna fall in love (this world is only gonna break your heart)
No I don't wanna fall in love (this world is only gonna break your heart)
With you
With you (this girl is only gonna break your heart)

What a wicked game you played to make me feel this way
what a wicked thing to do to let me dream of you
what a wicked thing to say you never felt this way
what a wicked thing to do to make me dream of you

And I don't wanna fall in love (this world is only gonna break your heart)
No I don't wanna fall in love (this world is only gonna break your heart)
With you

The world was on fire and no one could save me but you
It's strange what desire will make foolish people do
I'd never dreamed that I'd love somebody like you
I'd never dreamed that I'd lose somebody like you


No I don't wanna fall in love (this world is only gonna break your heart)
No I don't wanna fall in love (this world is only gonna break your heart)
With you (this girl is only gonna break your heart)
With you (this girl is only gonna break your heart)

No I... (this girl is only gonna break your heart)
(This girl is only gonna break your heart)

Nobody loves no one

Monday, June 02, 2008

De:



Sorrir, Sol, Sabor, Sabedoria, Sensatez, Som, Saudade, Sereno, Susana, Sal, Sangue, Suave, Simpatia, Subtileza, Saltar, Surpresa, Surrealismo, SoNhAr...

Pequenas coisas...

Ela estava exausta, nervosa, desorientada, assustada, mas com coragem. Apesar disso o Anjo insistiu em falar com Ela. Perguntou-lhe:
Anjo: Sabes porque razão não és um anjo?
Ela: Porque não tenho asas?
Anjo: E sabes porque é que não as tens?
Ela: Não.
Anjo: Porque queres sempre voar alto de mais. E depois, bem, tu sabes o que acontece depois...
Ela: Sim. Uma valente queda bem no meio do real.


O Anjo ainda lhe segredou que não era assim tão mau:
- Pelo menos tiveste a ousadia e a coragem de sonhar.
E ela acabou por adormecer, mais uma vez.