Friday, June 26, 2009

Medos

Picture by Renar Atrays




"No chão que agora pisas eu semeei os meus sonhos... pisa suavemente, porque pisas os meus sonhos"

William Blake

Wednesday, June 03, 2009

Das verdades absolutas...

Picture by Anne-Julie Aubry

Atreve-te a julgar. Julga os outros julgando-te a ti mesmo.
A natureza das coisas é a tua natureza. Respira-te, despe-te, faz amor com as tuas convicções, não te limites a sorrir quando não sabes mais o que dizer. Os teus dentes estão lavados, as tuas mãos são amáveis, mas falta-te
decisão nos passos e firmeza nos gestos.
Procura-te. Tenta encontrar-te antes que te agarre a
voracidade do tempo.
Faz as coisas com paixão. Uma paixão irrequieta,
que não te dê descanso
e te faça doer a respiração. Aspira o ar, bebe-o com força, é
teu, nem um centavo pagarás por ele.
Quanto deves é à vida, o que deves é a ti mesmo. Canta.
Canta a água e a montanha e o pescoço do rio,
e o beijo que deste e o beijo que darás, canta
o trabalho doce da abelha e a paciência com que crescem
as árvores,
canta cada momento que partilhas com amigos, e cada
amigo
como um astro que desponta no firmamento breve do teu
corpo.
E canta o amor. E canta tudo o que tiveres razão para
cantar.
E o que não souberes e o que não entenderes, canta.
Não fujas da alegria. A própria dor ajuda-te a medir
a felicidade. Carrega nos teus ombros os séculos passados e
os séculos vindouros,
muito do pó que sacodes já foi vida, talvez beleza, orgulho,
pedaços de prazer.
A estrela que contemplas talvez já não exista, quem sabe,
o que te ajudou a ser vida de quantas vidas precisou. Canta!
Se sentires medo, canta. Mas se em ti não couber a alegria,
não pares de cantar.
Canta. Canta. Canta. Canta. Canta. constrói o teu amor,
vive o teu amor,ama o teu amor.



De tudo o que as pessoas querem, o que mais querem é o amor.
Sem ele, nada nunca foi igual, nada é igual, nada será igual
alguma vez.
Canta. Enquanto esperas, canta.
Canta quando não quiseres esperar.
Canta se não encontrares mais esperança. E canta quando a
esperança te encontrar.
Canta porque te apetece cantar e porque gostas de cantar e
porque sentes que é preciso cantar.
E canta quando já não for preciso. Canta porque és livre.
E canta se te falta a liberdade.
(...)





Joaquim Pessoa
in Vou-me embora de mim, Ed. Hugin, 2000

Há coisas que só fazem sentido porque são feitas em conjunto e partilhadas. É assim o Amor, é assim a Amizade. Felizmente, esta semana tenho vivido assim, a partilhar o que há de melhor! ´
Directamente da Casa Dior, esta música é para si... tu sabes quem és, uma GAIVOTA Livre, a Voar!!!

Monday, May 11, 2009

A 1 dia do meu dia: How it ends?*

Foto by Martina Skrobot

Quero-te para além das coisas justas
e dos dias cheios de grandeza.
A dor não tem significado quando ma roubam as árvores,
as ágatas, as águas.
O meu sol vem de dentro do teu corpo,
a tua voz respira a minha voz.
De quem são os ídolos, as culpas, as vírgulas
dos beijos?
Discuto esta noite
apenas o pudor de preferir-te
entre as coisas vivas.

Joaquim Pessoa




* Ou - Homens que me compreendem melhor que eu própria - Parte X


Thursday, April 23, 2009

Homens que me compreendem melhor que eu própria - Parte IX

Foto por Ana Meireles

O amor é o amor — e depois?!
Vamos ficar os dois a imaginar,
a imaginar?...
O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito há
todo o espaço para amar!
Na nossa carne estamos sem destino,
sem medo, sem pudor
e trocamos — somos um? somos dois?
espírito e calor!
O amor é o amor — e depois?


Alexandre O'Neil, in "Abandono Vigiado"

Friday, April 17, 2009

Continua muito pouco por dizer.

Picture by Iaia Gagliani

Eis-me. Destabilizada, desfocada, indefinida, desencontrada. Continuo a tentar acabar este puzzle. Tenho dias em que acho que tenho as peças, noutros percebo que o puzzle está mais desmanchado do que nunca. E noutros dias ainda pergunto: Mas por que raio é que estou com este puzzle nas mãos? Quando foi mesmo que os meus dias se tornaram num puzzle?
E depois é esta mania dos feelings... ando com o coração apertado, a dizer-me baixinho que isto não anda nada bem, que não é nada o que parece... e como eu gostava que ele (o coração) estivesse em silêncio por uns tempos, para eu ouvir o resto, a outra voz, aquela que diz o que queremos e para onde devemos ir... E vão assim os dias. Inseguros. Muito a medo. Muito na corda bamba... e eu não sou mesmo nada assim.

P.S - Não deixa de ser curioso o facto de que está a circular uma certa onda de indefinição no meio "blogsférico" que costumo frequentar...será do clima?


Saturday, April 04, 2009

Wednesday, April 01, 2009

Monday, March 30, 2009

Finalmente.

São músicas daquelas que eu digo que são minhas. Marcam uma série de emoções minhas, sentimentos e momentos meus. Foi um dos Cd's que mais prazer me deu comprar. Estou doente. Mesmo. Mas amanhã este senhor vai estar a actuar à porta da minha casa. E eu tenho bilhete há mais de um mês... Nem que seja com 40º de febre, não posso perder esta noite.

Friday, March 20, 2009

É o que há.




Sei de um rio, sei de um rio
Em que as únicas estrelas nele sempre debruçadas
São as luzes da cidade
Sei de um rio, sei de um rio
Onde a própria mentira tem o sabor da verdade
Sei de um rio…
Meu amor dá-me os teus lábios, dá-me os lábios desse rio
Que nasceu na minha sede,
mas o sonho continua
E a minha boca até quando
ao separar-se da tua
Vai repetindo e lembrando
Sei de um rio, sei de um rio
Meu amor dá-me os teus lábios, dá-me os lábios desse rio
Que nasceu na minha sede,
mas o sonho continua
E a minha boca até quando ao separar-se da tua
Vai repetindo e lembrando
Sei de um rio,
sei de um rio
Sei de um rio,
até quando


Pedro Homem de Melo - Alain Oulman
in Sempre de Mim, 2008






Monday, March 16, 2009

Magnífico



I was born
I was born to be with you
In this space and time
After that and ever after I haven't had a clue
Only to break rhyme
This foolishness can leave a heart black and blue
Only love, only love can leave such a mark
But only love, only love can heal such a scar
I was born
I was born to sing for you
I didn't have a choice but to lift you up
And sing whatever song you wanted me to
I give you back my voice
From the womb my first cry, it was a joyful noise
Only love, only love can leave such a mark
But only love, only love can heal such a scar
Justified till we die, you and I will magnify
The magnificent
Magnificent
Only love, only love can leave such a mark
But only love, only love unites our hearts
Justified till we die, you and I will magnify
The magnificent
Magnificent
Magnificent
Magnificent - U2





And here i go again... Ontem voltei a ser eu! Ontem voltei a reencontrar mais um bocadinho de mim. Aos poucos, pode ser que o puzzle se encaixe... sinto que estou no bom caminho... E este som "magnífico" já é uma das minhas, ai podem crer que é!





Sunday, March 08, 2009

22h27

Dizia-me o M. uma vez "Tudo o que nos dá dores de cabeça, não é bom para nós...". E isto não me sai da cabeça...




Picture by The Lucky Nine

Doa a quem doer ( e não dói mais a ninguém do que a mim) vou tirar da cabeça e da alma tudo aquilo que me dá dores (de cabeça e de alma). Chegou a minha vez de viver!

Tuesday, March 03, 2009

Lá diz a canção...

Foto d'aqui

Às vezes (aliás, na maior parte das vezes) não há melhor remédio que uma boa noite de sono, silêncio, descanso e uma boa cama para nos fazer acreditar que no dia seguinte, mesmo que esteja a chover (e que o boletim meteorológico nos faça acreditar que é Dezembro um ano inteiro) o Sol irá brilhar mais forte, o Sol irá voltar!

P.S. - E não é que está mesmo um dia de Sol ?!?

Wednesday, February 25, 2009

...

Foto by Imogene Munday

Perdi-me. Assumo. E não me consigo encontrar. Baixei as armas, rendo-me... Perdi as forças, perdi a vontade, perdi a coragem. Perdi os sorrisos, perdi a espontaneidade, perdi a verdade. Perdi confiança, perdi palavras, perdi-me nas esperanças, perdi-me nas ansiedades. E não me consigo encontrar. Se calhar, o tempo ajudar-me-à a ser eu novamente e a perder o medo, que foi a única coisa que ganhei no meio de tudo isto.



Wednesday, February 11, 2009

Mais um roubo*

Não sabemos nada.
Nunca saberemos se os enganados são os sentidos ou os sentimentos, se viaja o comboio ou a nossa vontade se as cidades mudam de lugar ou se todas as casas são a mesma.
Nunca saberemos se quem nos espera é quem nos deve esperar, nem sequer quem temos de aguardar no meio de um cais frio. Não sabemos nada. Avançamos às cegas e duvidamos se isto que se parece com a alegria é só o sinal definitivo de que nos voltámos a enganar.
Amalia Bautista

* do único sítio que tem a coragem de assumir que tudo isto é um erro, mesmo que se dance

Tuesday, February 03, 2009

Dos Medos

Imagem de José Lopes


Não há outro Eu. Há apenas outro lado. Outros lados. E por muito que não queira, não estou sozinha nesta aventura. E cada lado meu é inevitavelmente afectado por outros lados de outros alguéns. E os meus outros lados, por sua vez, afectam também os alguéns que por aí andam.
Não há sonhos nem ilusões. Há apenas a movimentação silenciosa e incessante da existência que nos leva ao dia de amanhã, e ao depois de amanhã, até já não haver mais dias para nos levar.
Não há príncipes nem princesas. Há apenas gente. Que vai andando de dia em dia, até chegar aquele dia em que se completou e entendeu.
Não há princípio. Há ciclos eternos de vícios, de hábitos e de manias que nos fazem crer que algo se constrói.
Não há fim. Há recomeços constantes daquilo que acabou.




Monday, February 02, 2009

Homens que me compreendem melhor que eu própria - Parte VIII

Amor

Cala-te, a luz arde entre os lábios, e o amor não contempla, sempre o amor procura, tacteia no escuro, essa perna é tua?, esse braço?, subo por ti de ramo em ramo, respiro rente á tua boca, abre-se a alma à lingua, morreria agora se mo pedisses, dorme, nunca o amor foi fácil, nunca, também a terra morre.


Eugénio de Andrade


Imagem d'aqui

Friday, January 30, 2009

Extremos

1 dia sim. 2 dias não. Meio dia sim. 2 dias não...

A melhor não sei, mas uma Outra sim!

D'aqui

Tuesday, January 27, 2009

Every time i close my eyes

Picture by Anne-Julie Aubry



Não há maior desafio que a Vida me possa pedir e dar que Confiar. Seja em alguém ou nela própria. Ter Fé no próprio dia, no meu próprio ser, mas sobretudo nos outros, naqueles que se cruzam em anonimato na nossa vida, nos que se cruzam em plena identidade na nossa alma, nos que nos amam e dos que nada sentem por nós. Ter Fé nos que dizem que nos querem bem e naqueles que nada nos dizem. Porque a Vida é isso mesmo. Confiar. Acreditar nos outros seres que partilham este espaço connosco e confiar que cada um irá fazer a sua caminhada silenciosa e discreta para em nada nos atingir ou magoar.
É como andar num quarto escuro e acreditar que não há maior luminosidade do que aquela, é confiar que cada manhã é o princípio de mais um dia que vamos atravessar, chegando tranquilamente ao dia seguinte. É ter esperança que cada Primavera volta. É um flutuar inocente e quase ingénuo sobre as verdades que queremos guardar e sobre as que nos dão. É uma queda livre num oceano de outras realidades que transformamos para a nossa própria realidade. Não é exactamente isto que todos nós fazemos?