Wednesday, April 30, 2008

Homens que me compreendem melhor que eu mesma, Parte I

Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube que ias comigo,
até que as tuas raízes atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo

Dois amantes felizes não têm fim nem morte,
nascem e morrem tanta vez enquanto vivem,
são eternos como é a natureza.


Não te quero senão porque te quero,
de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te, como um cego.
Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,a sangue e fogo.

Pablo Neruda

Monday, April 28, 2008

Música Obrigatória

Música minha, de sempre, para sempre

É assim.

Depois de ver aqui, roubei também d'aqui

Alter ego

Tirado d'aqui

Friday, April 25, 2008

Último Herói

Ficaste na pureza inicial *
Do gesto que liberta e se desprende
Havia em ti o símbolo e o sinal
Havia em ti o herói que não se rende
Outros jogaram jogo viciado
Para ti nem poder nem a sua regra
Conquistador do sonho inconquistado
Havia em ti o Herói que não se integra
Por isso ficarás como quem vem
Dar outro rosto ao rosto da cidade
Diz-se o teu nome e sais de Santarém
Trazendo a espada e a flor da Liberdade


*Manuel Alegre


Thursday, April 24, 2008

Sempre




Esta é a madrugada que eu esperava

O dia inicial inteiro e limpo

Onde emergimos da noite e do silêncio

E livres habitamos a substância do tempo
"25 de Abril"
Sophia de Mello Breyner Anderson


Ainda Nós

Sim, Tu estás aqui e Eu não estou cá. Sim, Eu quero aquilo e Tu precisas disto. Não, Eu não te afastei, Tu deixaste-te ir. O tempo ainda está do nosso lado.


Wednesday, April 16, 2008

.....................................................

Foda-se
Puta que pariu esta merda toda...

Tuesday, April 15, 2008

Convite

Há semelhança de anos anteriores, a Biblioteca Municipal de Santarém vai voltar a celebrar o Dia Mundial do Livro (23/04) com uma série de eventos a realizar nos Bibliocafés da cidade, sendo estes, espaços com protocolo com a Biblioteca, nos quais é possível requisitar um livro, levá-lo para casa ou apenas folheá-lo e saboreá-lo enquanto se toma, por exemplo, um café.
A agenda das actividades é de 21 a 28 de Abril, destacando-se desde já a mini Feira do Livro que estará presente em cada café, assim como um atelier livre de técnicas de declamação e de leitura de poesia, que irá decorrer nas instalações da Biblioteca, no dia 28 a partir das 15h*.
Salienta-se ainda que as actividades que irão decorrer em cada local terão dinamizadores convidados das áreas da poesia, da música e do teatro, muito embora a ideia maior seja a da participação do público através da intervenção directa e espontânea de quem quiser, para partilhar textos ou poemas connosco.
Venham daí e tomem um café diferente numa, ou em todas as noites desta semana!


Friday, April 04, 2008

Música Obrigatória

Muito se tem falado desta senhora, por todos os motivos e mais alguns. Mas é uma pena que ainda não se tenha falado nela por coisas como esta...


On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses.
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos chagrins il s'en fait des manteaux
Pourtant quelqu'un m'a dit...
Que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore.
Serait ce possible alors ?
On dit que le destin se moque bien de nous
Qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout
Parait qu'le bonheur est à portée de main,
Alors on tend la main et on se retrouve fou
Pourtant quelqu'un m'a dit ...
Mais qui est ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais?
Je ne me souviens plus c'était tard dans la nuit,
J'entend encore la voix, mais je ne vois plus les traits
"il vous aime, c'est secret, lui dites pas que j'vous l'ai dit"
Tu vois quelqu'un m'a dit...
Que tu m'aimais encore, me l'a t'on vraiment dit...
Que tu m'aimais encore, serais ce possible alors ?
On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos tristesses il s'en fait des manteaux,
Pourtant quelqu'un m'a dit que...
Quelqu'un m'a dit
Carla Bruni

Thursday, April 03, 2008

That's why...

É melhor assim.

Sai. Vai. Deixa. Agarra no teu cavalo e em todos os outros que soltaste e vai, volta para o teu castelo, para o teu refúgio. Que a vida encarregar-se-á de fazer tudo perfeito outra vez, como fez até aqui. Aliás, era quase uma dívida dela para contigo, não era? Há quanto tempo não tinhas um pedacinho de perfeição assim, no qual nada tiveste de fazer ou dizer para que tudo acontecesse como tinha de ser? Tinha de ser. E assim continuará...



Tuesday, April 01, 2008

Curtas

Cheguei à conclusão que tenhos sérios problemas com o Castelhano...



Esta é mesmo Só minha

...

Por mais voltas que dê, nunca me vou compreender. Conhecer-me? Isso sim. Já sei que quando tudo está calmo e a correr bem eu hei-de sempre arranjar maneira de virar tudo ao contrário; sei que a minha pele vibra ao som de algumas canções; sei que me falta o ar quando sinto aquele olhar; sei que não sei adormecer sem a mão dele; sei que tenho medo de morrer e por isso mesmo vivo de mais...vivo tudo; Sinto um nó na garganta quando penso nisto. Sei que não sei controlar emoções; Sei que os meus olhos falam sempre de mais; Sei que não te quero perder e que não sei viver sem ti; Sei que os momentos me fogem por entre os dedos e que quero prendê-los, para que fiquem só comigo e que de mim não saiam. Sei que não sei como sair daqui.




Monday, March 31, 2008

Metade

Minha doce e querida Joana:

A nossa caminhada começa muito antes de nos conhecermos, lembras-te? Antes de nos cruzarmos já as nossas histórias estavam juntas...o que se calhar eu não sabia é que a nossa amizade viria a tornar-se numa das coisas mais bonitas que aconteceu na minha vida!
Vivemos juntas, partilhámos quartos, casas, amigos, lágrimas, sorrisos, noites de música, muita música, esperas por bilhetes em noites gélidas, jantares e mais jantares, almoços, noites de estudo e de fumo, noites de soro e de nitrato de prata, corridas pelas avenidas de Lisboa, comboios que nos levaram à praia, aos sonhos, aos medos e aos segredos e muito, muito mais, (porque 7 anos não se escrevem num blog)...foste e és uma verdadeira amiga, uma irmã e serás sempre a outra parte de mim!
Quero apenas que saibas que, mesmo que agora já não as vejas todos os dias, as minhas mãos estão todos os dias junto das tuas...para o que der e vier!!!


"And if the darkness is to keep us apart
And if the daylight feels like it's a long way off
And if your glass heart should crack
And for a second you turn back
Oh no, be strong"*




* "Walk on", U2

Saturday, March 29, 2008

Será?

Porque a arte será sempre o meio mais intenso de nos transmitir emoções.

"Recicling Nude" (1902) é uma das mais importantes obras do célebre retratista italiano Giovanni Boldini. A imagem da mulher semi-nua, usando apenas meias pretas, combina a valorização da beleza feminina sensual e refinada com o toque violento e desenvolto de sua pintura.
Aqui, Boldini mostra, ao mesmo tempo, as convenções da fantasia masculina para exprimir a sexualidade feminina, juntamente com subtis convenções pictóricas para expressar um continuum no potencial sexual das mulheres, indo daquelas do demi-monde até as senhoras da sociedade...
descoberto aqui

Thursday, March 27, 2008

Dia Mundial do Teatro

TEATRO OBRIGATÓRIO UNIVERSAL (T.O.U)
"Por que é que os Teatros estão vazios? Pura e simplesmente porque o público não vai lá. De quem é a culpa? Unicamente do Estado. Se cada um de nós se visse obrigado a ir ao Teatro, as coisas mudavam completamente de figura. Por que não instituir o teatro obrigatório? Por que é que se instituiu a escola obrigatória? Porque nenhum aluno ia à escola se não fosse obrigado. É verdade que era mais difícil instituir o teatro obrigatório, mas com boa vontade e sentido do dever, não é facto que tudo se consegue? E além do mais, não será o teatro uma escola? Então…O teatro obrigatório podia, ao nível das crianças, iniciar-se com um repertório que apenas incluísse contos como o “Pequeno Polegarzão” ou “O Lobo Mau e as Sete Brancas de Neve”…Numa grande cidade pode haver – admitamos – cem escolas. Com mil crianças por escola todos os dias, teremos cem mil crianças. Estas cem mil crianças vão de manhã à escola e à tarde ao teatro obrigatório. Preço de entrada por pessoa-criança: cinquenta cêntimos – a expensas do Estado, é claro – dá, cem teatros cada um com mil lugares sentados: 500 euros por teatro, faz portanto 50.000 euros para cem teatros, por cidade. Quantos actores não arranjavam trabalho! Instituindo, distrito a distrito, o teatro obrigatório, modificava-se por completo a vida económica. Porque não é bem a mesma coisa pensarmos: “Vou ou não vou hoje ao teatro?” ou pensarmos: “Tenho que ir ao teatro!”. O teatro obrigatório levava o cidadão em causa a renunciar voluntariamente a todas as outras estúpidas distracções, às cartas, às discussões políticas na taberna, aos encontros amorosos e a todos esses jogos de sociedade que nos tomam e devoram o tempo todo. Sabendo que tem de ir ao teatro, o cidadão já não será forçado a optar por um espectáculo, nem a perguntar-se se irá ver o Fausto em vez de outra coisa qualquer – não, assim é obrigado a ir, cause-lhe o teatro horror ou não, trezentas e sessenta e cinco vezes por ano ao teatro. Ir à escola também causa horror ao menino da escola e no entanto ele lá vai porque a escola é obrigatória. Obrigatório! A imposição! Só pela imposição é que hoje se consegue obrigar o nosso público a vir ao teatro. Tentou-se, durante dezenas e dezenas de anos, convencê-lo com boas palavras e está-se a ver o resultado! Truques publicitários para atrair as massas, no género de “A sala está aquecida” ou “É permitido fumar no foyer durante o intervalo” ou ainda “Os estudantes e os militares, desde o general ao soldado raso, pagam meio bilhete”, todas estas astúcias não conseguiram encher os teatros, como estão a ver! E tudo o que se gasta num teatro com publicidade passará a ser economizado a partir do momento em que o teatro se torne obrigatório. Será porventura necessário pagar publicidade para se mandar as crianças à escola obrigatória? Como também deixará de haver problemas com o preço dos lugares. Já não dependerá da condição social, mas das fraquezas ou da invalidez dos espectadores. Da primeira à quinta fila, ficarão os surdos e os míopes! Da sexta à décima, os hipocondríacos e os neurasténicos! Da décima à décima quinta, os doentes da pele e os doentes da alma. E os camarotes, frisas e galerias serão reservados aos reumáticos e aos asmáticos. Tomemos por exemplo uma cidade como Lisboa: descontando os recém-nascidos, das crianças com menos de oito anos, dos velhos e entrevados, podemos contar com cerca de dois milhões de pessoas submetidas ao teatro obrigatório, o que é um número bastante superior ao que o teatro facultativo nos oferece. Ensinou-nos a experiência que não é aconselhável que os bombeiros sejam voluntários e por isso se constituiu um corpo de bombeiros. Por que razão o que se aplica aos bombeiros não se aplicará também ao teatro? Existe uma íntima relação entre os bombeiros e o teatro. Eu que ando pelos bastidores dos teatros há tantos anos, nunca montei nem vi uma só peça que não tivesse um bombeiro presente na sala. O T.O.U., Teatro Obrigatório Universal, que propomos, chamará ao teatro numa cidade como Lisboa*, cerca de dois milhões de espectadores. É pois necessário que, numa cidade como Lisboa, haja: ou vinte teatros de cem mil lugares, ou quarenta salas de cinquenta mil lugares, ou cento e sessenta salas de doze mil e quinhentos lugares, ou trezentas salas de seis mil duzentos e cinquenta lugares, ou seiscentas e quarenta salas de três mil cento e vinte cinco lugares ou dois milhões de teatros de um único lugar. É preciso que cada um trabalhe no Teatro para se dar conta da força que daí nos pode advir, quando o ambiente de uma sala à cunha, com o público de – digamos – cinquenta mil pessoas nos arrebata! Aqui tendes o verdadeiro meio de ajudar os teatros que estão pelas ruas da amargura. Não se trata de distribuir bilhetes à borla. Não, há que impor o teatro obrigatório! Ora quem poderá impor senão… o ESTADO."



Karl Valentin


* No texto original a cidade não é Lisboa, sendo que este texto foi adaptado e retirado do blog "Fora de Cena"


Direito Privado

Privilégio:
substantivo masculino
1. direito ou vantagem exclusiva concedida a alguém;
2. diploma que confere essa vantagem;
3. regalia;
4. prerrogativa; imunidade;
5. condão;


[just like a fairytale...]

Friday, March 21, 2008

Respeitar tradições

Segundo consta, no dia de hoje não se come carne...a malta cá deste lado, pelo menos, sempre fez assim, e até sabe porquê. Mas este ano, resolvemos aproveitar a tradição e marcar o dia de maneira diferente. Vai daí, o Apokalypse teve a brilhante ideia de apostar nos seus dotes de culinária (que diga-se desde já que são brilhantes!) e preparar para o jantar de hoje e sua melhor especialidade!!!



Tradição cumprida, certo?